Doutrina

A Doutrina Espírita ou Espiritismo  tem seus fundamentos na existência, nas manifestações e no ensinamento dos Espíritos, constituindo-se em aspectos científicos, filosóficos e morais.

O francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869) foi educador, tradutor e escritor. Foi escolhido para apresentar esta nova doutrina ao planeta. Adota então o pseudônimo de Allan Kardec para que seus novos escritos não se confundissem com as obras não doutrinárias por ele escritas anteriormente.

Ao contrário do que muitos pensam Kardec não criou a Doutrina Espírita e é ele mesmo que afirma isso na introdução do  Livro dos Espíritos, primeiro livro da codificação. Por isso o termo Kardecismo é inconsistente, pois o sufixo -ismo significa  doutrina de, ou seja, doutrina de Kardec e ele mesmo diz que os ensinamentos são dos espíritos.

Conhecemos Kardec como o codificador, ou seja, aquele que compilou e nos ajudou a entender esses ensinamentos vindos dos Espíritos Superiores. Kardec, porém, não aceitava qualquer afirmação vinda dos espíritos tomando um cuidado metódico e científico, enviando as mesmas perguntas à diversos médiuns e centros espíritas dentro e fora da França para que antes de publicá-las pudesse considerá-las verdadeiras.

À plêiade de espíritos de luz que acompanham Kardec nesta missão e trazem esses ensinamento é chamado de o Espírito de Verdade. Com o acompanhamento do Espírito de Verdade foram elaborados os Livros da Codificação Espírita entre os anos de 1857 e 1869. Em ordem cronológica temos: O Livro dos Espíritos, livros de perguntas e respostas sobre Deus, espíritos, reencarnação, entre outros  princípios da Doutrina; O Livro dos Médiuns, que estuda os fenômenos mediúnicos; O Evangelho Segundo o Espiritismo, no qual as passagens evangélicas são tomadas á luz da nova doutrina e seu aspecto moral; O Céu e o Inferno; livro que explana sobre o destino dos espíritos após a morte física; A Gênese, tratando sobre a origem e futuro da Terra e dos milagres do Evangelho. Kardec também escreve outros livros complementares, a Revista Espírita e após seu desencarne o livro Obras Póstumas.

Os adeptos da Doutrina Espírita ou Espiritismo não adoram imagens, não usam de qualquer apoio material sejam velas, incensos, roupas especiais ou praticam qualquer  tipo de ritual, como danças ou casamentos. Isso porque entendem que a doutrina é libertadora ensinando a não necessidade e mesmo ineficácia de tais métodos ou da necessidade de qualquer objeto ou mesmo pessoas entre Deus e a humanidade. Também não há hierarquias ou sacerdócio.  Os centros espíritas são independentes e não estão subordinados a nenhuma instituição.

A Doutrina Espírita tem três aspectos: Ciência, Filosofia e Religião ou Moral.

É Ciência porque explica os diversos fenômenos das manifestações dos espíritos,  desvenda os chamados "milagres", desvirtua o misticismo e o misterioso. Estuda, analisa, raciocina. O Espiritismo encontra  a Verdade na razão e no estudo.

É Filosofia, pois nos leva a reflexões e nos trás respostas acerca da nossa evolução, a razão da vida, responde as aparentes injustiças do mundo, enfim, nos leva a finalmente encontrar respostas à inquietantes perguntas sobre o que somos, de onde viemos e para onde vamos.

É Religião, pois esta palavra significa religar-se com Deus e a Doutrina Espírita nos devolve a Deus pelo uso da razão. Não é uma religião no sentido de cultos, dogmas e rituais como alguns entendem, mas sim no que concerne essa ligação com Deus. Kardec e os espíritos elevados prescrevem a prece na codificação, não como fórmula, mas como meio ligação com Deus e os bons espíritos. Um homem pode ser ateu e moralmente correto, mas não se pode ser espírita e ser ateu.

O aspecto moral entendido por Kardec era a do Cristo e afirma isso no livreto O Espiritismo em sua expressão mais simples: "Como moral, ele é (o Espiritismo) essencialmente cristão, porque a doutrina que ensina é tão somente o desenvolvimento e a aplicação da do Cristo, a mais pura de todas, cuja superioridade não é contestada por ninguém, prova evidente de que é a lei de Deus; ora, a moral está a serviço de todo mundo". E afirma  em O Evangelho segundo o Espiritismo que o cristão e espírita são a mesma coisa.

A Doutrina Espírita  é o Consolador Prometido por Jesus quando este diz: "Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará um outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco. O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito." (São João, cap. 14:15-17 e 26.)

Jesus é o maior modelo a ser seguido, é nosso governador planetário que co-criou este planeta com Deus e o preparou para ser a escola dos seres humanos em ascensão ao Pai. Há pouco mais de dois mil anos encarnou na Terra  para nos trazer pessoalmente seu exemplo e seus ensinamentos preparando a humanidade para o advento da Doutrina Espírita que viria em seu nome e sob seu comando. Por estes motivos consideramos Jesus o mestre maior.

O Espiritismo é o Cristianismo redivivo que procura na simplicidade do mestre de Nazaré e de seus preceitos de amor e tolerância ensinar a Humanidade a evoluir por meio do conhecimento da Verdade.