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A Felicidade

Se fizermos uma pesquisa para encontrar alguém feliz, talvez o resultado fosse amplamente desfavorável. Poucos são aqueles que se consideram felizes. Uns reclamam do trabalho, do salário, dos chefes, outros dos vizinhos, dos parentes, do casamento, da saúde, da escola, dos professores, dos colegas de classe, do tempo, outros até porque seu time do coração não anda muito bem das pernas.

Isto se deve em grande parte porque o ser humano procura a felicidade do lado de fora de si. Ele quer que os outros o faça feliz, se perguntarmos o que ele faz para ser feliz, dificilmente alguém teria resposta.

No “O Livro dos Espíritos”, nas questões 920 e 921, Kardec faz as seguintes perguntas:

– O homem pode gozar de completa felicidade na terra?

R. – Não, porque a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Mas depende dele amenizar os seus males e ser tão feliz quanto possível na terra.

– Concebe-se que o homem será feliz na terra quando a humanidade estiver transformada. Mas, enquanto isso não acontece uma felicidade relativa?

R. – O homem é sempre o artífice da sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, ele pode poupar-se de muitos males e alcançar felicidade tão grande quanto o comporte sua existência terrestre.

Com estas respostas os espíritos deixam bem claro que podemos ser relativamente felizes, basta que saibamos usar aquilo que é colocado em nosso caminho.

Em grande parte o ser humano sofre por aquilo que não tem, quando na verdade deveria alegrar-se com o que tem. Isto não é comodismo, mas aceitação de uma determinada situação, lutando para mudá-la, mas sem desespero.

No livro “Evolução, a jornada do Espírito” de Paulo G. Almeida, abordando os ensinamentos de Buda, traz alguns tópicos que confere com que ensinou Jesus e que preconiza a doutrina espírita, vejamos algumas questões:

I – Dado o estado psicológico do homem comum, voltando seu desenvolvimento para o mundo externo de modo agressivo, a insatisfação que gera e o sofrimento são quase que inevitáveis.

II – A insatisfação é o resultado de anseios ou desejos que não podem ser plenamente realizados e estão atrelados a uma sede do poder...

III – O controle dos desejos leva a extinção do sofrimento. Controlar o desejo não significa extinguir todos os desejos, mas não estar amarrado ou controlado por eles, nem condicionar ou acreditar que a felicidade está atrelada à satisfação de determinados desejos. Os desejos são normais e necessários até certo ponto, pois eles têm a função primária de preservar a vida orgânica. Mas se todos os desejos e necessidades são imediatamente satisfeitas, é provável que passemos a um estado passivo e alienado de complacência. A aceitação refere-se a uma atitude calma de desfrute dos desejos realizados sem nos perturbarmos seriamente com os inevitáveis períodos de insatisfação.

Se a felicidade é algo de dentro para fora, o que fazer então para encontrá-la?

Não temos receita para fazer alguém feliz, porém a experiência nos diz que se seguirmos alguns preceitos nossa vida será bem mais tranquila. Vamos ver alguns tópicos que poderão nos ajudar:

Termos a consciência tranqüila de que não fizemos nenhum mal a quem quer que seja;

A certeza de que procuramos sempre ajudar aqueles que nos procuraram;

Nunca ficamos esperando reconhecimento por algum favor que tenhamos prestado;

Fomos honestos, não apenas no aspecto financeiro, mas também em nossos atos e palavras;

Não passamos o dia descobrindo e apontando o erro dos outros.

Procuramos tratar todos com respeito e carinho.

Olhar a vida de maneira diferente. Reconhecer e agradecer os favores recebidos, valorizar os amigos, o bate papo informal e tranqüilo, observar a natureza, ouvir o canto dos pássaros, ver a beleza e simplicidade no sorriso de uma criança.

Haverá muitas outras maneiras de encontrarmos a felicidade, mas se procurarmos seguir estes itens e o que ensinou Jesus, quando mandou que amássemos a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos, poderemos ser felizes tanto quanto permite a situação espiritual da terra.

Joaquim Soares (Juca)